Tratamento farmacológico de transtornos alimentares
Fábio Tapia Salzano1
Táki Athanássios Cordás2

 
1Psiquiatra-assistente e coordenador do Hospital Dia – Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Ipq, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – AMBULIM-Ipq HC-FMUSP, mestre pelo Departamento de Psiquiatria da FMUSP.
2Coordenador geral do AMBULIM do Ipq HC-FMUSP, professor colaborador do Departamento de Psiquiatria da FMUSP.

Trabalho elaborado no AMBULIM do Ipq – HC-FMUSP, situado na rua Ovídio Pires de Campos s/n, 2º andar – São Paulo – SP – CEP 05403-010, Fone/fax: 3069-6975.


Endereço para correspondência:



Fábio Tapia Salzano. Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares do Ipq HC-FMUSP (AMBULIM), rua Ovídio Pires de Campos s/n, 2º andar – São Paulo – SP– CEP 05403-010, Fone/fax: 3069-6975, e-mail: ftsalzano@uol.com.br.


 
 Resumo

 
Os autores revisaram a literatura a respeito do tratamento farmacológico para transtornos alimentares, incluindo anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica. São apresentadas evidências clínicas relacionadas ao uso de psicofármacos nos transtornos alimentares e apontadas, ainda, as perspectivas futuras para o tratamento.

Palavras-chave: Transtorno alimentar, tratamento; psicofarmacologia.

 
 Abstract

 
The authors have revised the literature about the pharmacological treatment of eating disorders, including anorexia nervosa, bulimia nervosa and bingeeating disorder. Clinical evidences of the medications action in eating disorders are presented, and future perspectives for the treatment are indicated.

Keywords
: Eating disorder, treatment, psychopharmacology.

 
 Introdução

 
 
A principal meta do tratamento da anorexia nervosa (AN), segundo a Associação Psiquiátrica Americana (APA, 2000), é o ganho de peso até o índice de massa corporal (IMC) acima de 19. Caso haja comorbidade psiquiátrica, é necessária a abordagem psicofarmacológica.

A meta principal do tratamento da bulimia nervosa (BN) é a regularização do padrão alimentar com suspensão de práticas purgativas e restritivas (APA, 2000). Para a maioria de pacientes com bulimia nervosa, um tratamento não-farmacológico é considerado o primeiro passo. Se o tratamento com abordagem psicoterápica não estiver evoluindo como o esperado, medicamentos antidepressivos estão indicados.

Os pacientes com transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) são grupo de risco para ganho de peso e, à medida que o quadro evolui, atingem patamares de sobrepeso ou de obesidade. Em um estudo populacional, Fairburn et al. (2000) observaram que a taxa de pacientes com TCAP que eram obesos aumentou de 22% para 39% após cinco anos de evolução. Os objetivos do tratamento do TCAP devem incluir a redução dos episódios bulímicos, diminuição do peso corporal para pacientes obesos e melhora da psicopatologia associada (sintomas depressivos e ansiosos), preferencialmente com associação de psicofármacos e de psicoterapia (Stunkard e Allison, 2003). As três classes de medicamentos que estão sendo estudadas no TCAP são: antidepressivos, inibidores de apetite com ação no sistema nervoso central e anticonvulsivantes.

 
 Anorexia nervosa

 
 

Nenhum psicofármaco foi claramente mais eficaz do que o placebo em melhorar os sintomas exclusivos da AN.

Um resumo de estudos controlados com placebo para AN pode ser observado na Tabela 1.

Estudos com sulpirida (Vandereycken, 1984), carbonato de lítio (Gross et al., 1981), pimozida (Vandereycken & Pieerloot, 1982), tetrahidrocanabinol (Gross et al., 1983), clonidina (Casper et al., 1987) e cisaprida (Stacher et al., 1993) não apresentaram resultados favoráveis.

O uso de amitriptilina (Biederman et al., 1985) e de ciproeptadina (Halmi et al., 1986) favoreceu o ganho de peso para pacientes com AN, enquanto a ação da fluoxetina mostrou resultados contraditórios (Gwirtsman et al., 1990; Attia et al, 1998).

Um estudo controlado comparou o uso de placebo e fluoxetina (doses entre 20 a 60 mg/dia) em 35 pacientes com AN durante um ano (Kaye et al., 2001). Os resultados apontaram ganho de peso e melhora na psicopatologia da AN, no humor disfórico e nos pensamentos obsessivos somente para pacientes que utilizaram fluoxetina, sugerindo o uso da droga na prevenção de recaídas.



Mendelson (2001) descreveu melhora do quadro clínico de uma paciente de 19 anos, com diagnóstico de anorexia nervosa subtipo restritivo, após o uso de tramadol, um agonista opióide seletivo.

O uso da olanzapina ainda incipiente tem apresentado melhora na ansiedade, na recusa alimentar e no ganho de peso em estudos abertos (Malina et al., 2003).



 Bulimia nervosa


 
O uso de antidepressivos, principalmente os tricíclicos e os inibidores seletivos de recaptura da serotonina (ISRS), tem auxiliado no tratamento da bulimia nervosa com a redução da freqüência de episódios bulímicos e vômitos, além de atuar em sintomas ansiosos e depressivos, quando presentes (APA, 2000). Os inibidores da monoaminoxidase (IMAO) também são úteis (Kennedy et al., 1988; Walsh et al., 1988; Mitchell et al., 1989-b; Priest et al., 1995), porém o risco de ingestão de algum alimento proscrito pelo seu uso durante um possível episódio faz a cautela anteceder sua indicação.

Em uma metanálise com 16 estudos controlados e um total de 1.300 pacientes com bulimia nervosa, Bacaltchuck et al. (2000) observaram maior remissão dos episódios bulímicos em pacientes medicados com antidepressivos do que com placebo (19,2% contra 8%) (Bacaltchuk et al., 2000). Em ambos os grupos, porém, as taxas de abandono foram consideradas altas (34,6% para o grupo que usou antidepressivo e 31,4% para o grupo placebo), sem diferenças estatisticamente significativas entre eles.

Na Tabela 2, estão descritos os estudos controlados com placebo para bulimia nervosa.


Estudos com naltrexona (Mitchell et al., 1989); d-fenfluramina (Fahy et al., 1993) e carbonato de lítio (Hsu et al., 1991) não evidenciaram melhora na sintomatologia da bulimia nervosa.

O benefício com o uso da desipramina e imipramina no tratamento da bulimia nervosa foi observado por Hughes et al. (1986) e Pope et al. (1983), porém o uso de outro tricíclico, a amitriptilina, não apresentou resultados favoráveis.

Em 1992, um estudo multicêntrico (FBNC, 1992) de 387 pacientes com bulimia nervosa, por oito semanas e divididos em três grupos – um recebeu placebo, outro 20 mg/dia de fluoxetina, e o terceiro, 60 mg/dia de fluoxetina – evidenciou uma redução significativa de sintomas bulímicos apenas para o terceiro grupo, com redução de 67% dos episódios bulímicos e vômitos auto-induzidos.

Em função desse estudo, Goldstein et al. (1995) realizaram outro experimento, comparando o uso de placebo com 60 mg/dia de fluoxetina, demonstrando maior remissão de vômitos e episódios bulímicos, com significância estatística no grupo com a droga ativa.

Romano et al. (2002) observaram que tratamento de manutenção com 60 mg/dia de fluoxetina por 52 semanas em pacientes com bulimia nervosa reduz o risco de recaída.

Em 2001, Knable descreveu remissão completa dos sintomas da bulimia nervosa em uma paciente com epilepsia, após o uso de topiramato, na dose de 150 mg/dia.

Hoopes et al. (2003) avaliaram o uso de topiramato (N = 35) em pacientes com bulimia nervosa num estudo duplo-cego controlado com placebo (N = 34). A dose média de topiramato utilizada foi de 100 mg/dia, variando de 25 a 400 mg/dia. Os pacientes tratados com topiramato apresentaram redução de 44,8% no número médio de dias da semana com compulsão alimentar e/ou práticas purgativas, enquanto essa redução foi de 10,7% para o grupo que utilizou placebo. Houve remissão completa ou grande redução dos episódios bulímicos e das práticas purgativas em nove dos 31 pacientes que utilizaram topiramato (29%), contra dois dos 33 pacientes tratados com placebo (6,1%). Esse estudo comprova a eficácia do topiramato na melhora da sintomatologia de pacientes com bulimia nervosa.

Em estudo aberto, El-Giamal et al. (2003) avaliaram 16 pacientes com bulimia nervosa, tratados com 100 mg/dia de milnaciprano. Houve redução de pelo menos 50% dos episódios bulímicos em dez dos 16 pacientes, e, ainda, três deles tiveram remissão completa ao final das oito semanas do estudo.

Igualmente em estudo aberto, Sloan et al. (2004) encontraram resultados positivos em 18 mulheres tratadas por oito semanas com doses de até 200 mg de sertralina.

Não foram encontrados fatores preditivos de resposta consistentes no tratamento da bulimia nervosa até o momento (Hay e Bacaltchuk, 2001).

 
 Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)


 
O uso de antidepressivos para pacientes com TCAP vem sendo avaliado a partir da observação de características clínicas semelhantes às dos pacientes com bulimia nervosa e da alta prevalência de comorbidade com episódios depressivos, que pode ocorrer em 51% dos casos (Yanovski et al., 1993).

Os estudos controlados com placebo para o TCAP estão relacionados na Tabela 3.


Em 1990, McCann e Agras avaliaram o uso de desipramina por meio de um estudo controlado com placebo e observaram redução significativa na freqüência de episódios compulsivos, sem, entretanto, redução do peso corporal.

Alger et al. (1991) estudaram a ação de imipramina, naltrexona e placebo num estudo controlado para pacientes com TCAP, sem encontrar diferenças significativas na evolução dos três grupos.

Ainda a respeito da naltrexona, há um relato de caso de uma adolescente com TCAP apontando remissão dos episódios compulsivos quando o opióide foi associado à fluoxetina (Neumeister et al., 1999).

Um estudo aberto com fluvoxamina apontou melhora de episódios compulsivos e redução de peso em um grupo de pacientes obesos com TCAP (Gardiner et al., 1993).

Os estudos controlados com ISRS indicaram, até o momento, benefícios com uso de fluvoxamina (Hudson et al.,1998), sertralina (McElroy et al., 2000), fluoxetina (Arnold et al., 2002) e citalopram (McElroy et al., 2003) no TCAP, com redução nos episódios bulímicos.

Um estudo aberto com venlafaxina sugeriu a eficácia deste antidepressivo na melhora de episódios compulsivos (Malhotra et al., 2002).

Em razão da associação do TCAP com obesidade, o uso de um inibidor de apetite com ação no sistema nervoso central, em regiões que regulam a saciedade e o apetite, pode promover melhora no quadro clínico relacionado.

Stunkard et al. (1996) observaram melhora significativa nos episódios bulímicos, sem diminuição do peso em pacientes com TCAP com d-fenfluramina.

Após um estudo aberto com sibutramina (Appolinario et al., 2002) evidenciando resultados promissores, Appolinário et al. (2003) realizaram um estudo controlado com sibutramina (dose de 15 mg/dia) e placebo em pacientes ambulatoriais com TCAP e obesidade. Ao final de 12 semanas do estudo, houve redução de 63% dos episódios bulímicos para o grupo que usou a sibutramina e aumento de 5,7% deles para o grupo placebo. A melhora na pontuação das escalas Binge Eating Scale e Beck Depression Inventory foi maior para o grupo do medicamento. Houve redução média de 7,4 kg de peso no grupo da sibutramina e ganho de 1,4 kg no grupo placebo.

Alguns anticonvulsivantes como topiramato e zonisamida promovem diminuição de apetite e perda de peso em alguns pacientes, sendo estudados no tratamento do TCAP.

Em dois estudos abertos sobre topiramato no TCAP, houve redução dos episódios bulímicos e diminuição do peso corporal (Shapira et al., 2000; Appolinário et al., 2002).

Um estudo controlado comparando a ação do topiramato com placebo em 61 pacientes com TCAP e obesidade comprovou os achados descritos anteriormente (McElroy et al., 2003). Houve remissão completa dos episódios bulímicos em 64% do pacientes que utilizaram o topiramato (dose média de 212 mg/dia) e em 30% dos que usaram placebo.

A eficácia da zonisamida no TCAP foi comprovada em um único estudo aberto utilizando dose média de 513 mg/dia, com redução no peso e do número de episódios compulsivos (McElroy et al., 2004).


 Conclusões


 
A anorexia nervosa ainda não possui um tratamento farmacológico considerado eficaz para melhora da psicopatologia do transtorno.

A ação de antidepressivos, entretanto, na prevenção de recaídas e de antipsicóticos no ganho de peso pode sinalizar como deverão ser pesquisas futuras.

O uso de antidepressivos, principalmente tricíclicos e ISRS, mostra-se parcialmente eficaz na bulimia nervosa e no TCAP. Mais recentemente, a ação do topiramato vem adicionando renovadas esperanças para o tratamento de ambos os quadros e do TCAP.

Novas pesquisas são necessárias para determinação das doses eficazes e duração do tratamento, bem como diferenças nos resultados terapêuticos com associação de psicoterapia.

 
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Órgão Oficial do Departamento e Instituto de Psiquiatria
Faculdade de Medicina  - Universidade de São Paulo