Neurobiologia do transtorno de personalidade anti-social
Cristina Marta Del-Ben

 
Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Endereço para correspondência:

Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Avenida dos Bandeirantes, 3900, 14049-900, Ribeirão Preto, SP. Tel: (016) 602-2607; Fax: (016) 602-2544; e-mail: delben@fmrp.usp.br


 
 Resumo

 

Nos últimos anos, tem havido um interesse crescente a respeito de uma melhor compreensão sobre o comportamento anti-social. O aumento da criminalidade e violência urbanas pode ter contribuído para esse maior interesse. Além de fatores psicossociais, outros biológicos têm sido implicados na fisiopatogenia do transtorno de personalidade anti-social (TPAS). Estudos de neuroimagem apontam o envolvimento de estruturas cerebrais frontais, especialmente o córtex orbitofrontal, e a amígdala. Também tem sido sugerido que prejuízos na função serotonérgica estariam associados à ocorrência de comportamento antisocial, já que pacientes com diagnóstico de TPAS apresentam respostas hormonais atenuadas a desafios farmacológicos com drogas que aumentam a função serotonérgica cerebral e redução da concentração de receptores serotonérgicos. Uma abordagem ampla dos diferentes fatores possivelmente envolvidos na fisiopatogenia do TPAS poderia contribuir para o desenvolvimento de novas técnicas de prevenção e intervenção.

Palavras-chave: Transtorno de personalidade anti-social, psicopatia, serotonina, neuroimagem.


 
 Abstract

 
Violence and crime have been increasing considerably in urban societies. As a consequence, some efforts have been made aiming at a better understanding of antisocial bevaviour. Apart from psychosocial factors, some evidences suggest the occurrence of biological factors in the pathogenesis of antisocial personality disorders (ASPD). Neuroimaging studies have shown the involvement of prefrontal areas, especially orbitofrontal cortex, and amygdala. Also, impaired serotonin (5-HT) neurotransmission has been implicated, since patients with ASPD present alterations in measures of 5-Ht system, such as blunted hormonal response to 5-HT pharmacological challenges and reduced 5-HT receptors numbers. A comprehensive approach of antisocial behavior, including biological and psychosocial aspects could lead to the development of new techniques for prevention and intervention in ASPD.

Keywords: Antisocial personality disorder, psychopath, neuroimaging, serotonin.

 
 Introdução

 
 
O transtorno de personalidade anti-social (TPAS) é um diagnóstico operacional proposto pelo Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV, APA, 1994), com a finalidade de melhorar sua confiabilidade diagnóstica por meio da definição de comportamentos observáveis e da personalidade subjacente inferida. O desenvolvimento do Psychopathy Check List Revised (PCL-R; Hare, 1991) foi um passo importante para a identificação de características-chave do TPAS. A análise fatorial dos itens do PCL-R sugere a ocorrência de dois grupos principais de sintomas. Os itens agrupados no fator I refletem as anormalidades de relacionamentos interpessoais, incluindo falta de empatia e de sentimentos de culpa e outros comportamentos relacionados, como mentir, trapacear e manipular. Os itens componentes do fator II referem-se à dificuldade em adaptar-se às normas sociais e à impulsividade.

Apesar de os critérios diagnósticos propostos pelo DSM-IV, apresentados no quadro 1, englobarem os dois grandes grupos de sintomas descritos como característicos de comportamento anti-social, nem sempre o diagnóstico de TPAS coincide com a definição de psicopatia. O conceito desta seria mais amplo, envolvendo características como falta de empatia, arrogância e vaidade excessiva, que não são consideradas nos critérios diagnósticos operacionais propostos pelo DSMIV (Blair, 2003).

Uma característica essencial do TPAS é a impulsividade, que poderia ser definida como uma tendência para escolhas de comportamentos que são arriscados, mal adaptados, pobremente planejados e prematuramente executados (Evenden, 1999). A impulsividade pode se expressar de diferentes maneiras, que vão desde a incapacidade de planejar o futuro, com o favorecimento de escolhas que proporcionem satisfação imediata e sem levar em conta as conseqüências para si e para os outros, até a ocorrência de comportamento violento ou agressivo.

Com relação ao comportamento agressivo freqüentemente observado em pacientes com TPAS, tem sido proposta uma distinção em duas categorias, baseadas na sua forma de apresentação. A agressividade poderia ser classificada como afetiva versus predatória (Raine et al., 1998) ou reativa versus operativa (Blair et al., 2001). A agressividade afetiva ou reativa se manifestaria em resposta a eventos ou situações que provocassem sentimentos de frustração, raiva ou medo no indivíduo. Já a agressividade operativa ou predatória seria planejada e executada de maneira calculada para se atingir um objetivo claramente específico. A justificativa para a diferenciação do comportamento agressivo em duas categorias é a hipótese de que essas manifestações comportamentais seriam processadas por substratos neurais distintos (Raine et al., 1998; Blair et al., 2001).



Os estudos epidemiológicos mostram que o TPAS é comum, com 2% a 3% de risco durante a vida, causando sofrimento social significativo, como desagregação familiar, criminalidade e violência (Robins et al., 1991). Como seria de se esperar, a prevalência é significativamente maior em instituições destinadas a infratores que em estudos à comunidade. Cerca de metade dos prisioneiros nos EUA preenche os critérios do DSM-IV para TPAS (Singleton et al., 1998), e a prevalência entre pacientes de hospital psiquiátrico de segurança máxima ficaria em torno de 40% (Coid e Cordess, 1992).

A comorbidade com outros transtornos de personalidade, especialmente o transtorno de personalidade borderline (TPB), é bastante comum. A apresentação clínica do TPB, baseada em critérios diagnósticos politéticos (DSM-IV, APA, 1994) é bastante heterogênea, mas as suas dimensões centrais seriam refletidas por três fatores: dificuldades de relacionamento interpessoal, instabilidade afetiva ou emocional e impulsividade (Clarkin et al., 1993; Sanislow et al., 2000). A falta de controle de impulso é um componente compartilhado pelos dois transtornos de personalidade em questão, o que pode dificultar ainda mais o diagnóstico diferencial.

Sabe-se pouco a respeito das causas do TPAS, mas seria ingenuidade negligenciar a influência de fatores psicossociais no desenvolvimento de comportamento anti-social. A ocorrência de eventos estressores nos primeiros anos de vida, como conflitos entre os pais, abuso físico ou sexual e institucionalização, tem sido associada ao TPAS (O’Connell, 1998; Cadoret, 1991). Em uma revisão a respeito dos fatores de risco para o desenvolvimento de transtorno de conduta ou de personalidade anti-social, Homes et al. (2001) concluem que nenhum fator isolado pode ser identificado como agente causal de TPAS, mas alguns específicos, quando combinados, poderiam predispor ao desenvolvimento de comportamento anti-social na vida adulta. Entre eles, estariam incluídos: predisposição genética, exposição intra-uterina a álcool e drogas, exposição durante a infância à violência, negligência e cuidados parentais inconsistentes e dificuldades de aprendizagem e desempenho escolar insatisfatório.

O que se observa, de fato, é que poucos estudos se dispuseram a explorar de maneira sistemática a correlação entre eventos/experiências de vida e personalidade anti-social, provavelmente devido à complexidade inerente ao delineamento de projetos capazes de controlar alguns vieses metodológicos. Um bom exemplo dessas limitações seria a associação de maus tratos na infância com o desenvolvimento de TPAS na vida adulta. Esta associação poderia, na verdade, confundir uma associação genética, já que a instituição de maus tratos a filhos é uma das características clínicas que podem estar presentes no TPAS.

Por outro lado, TPAS também ocorre em pessoas sem história de conflitos familiares ou estressores significativos na infância e há evidência de predisposição genética (McGuffin e Thapar, 1992). A hereditariedade parece contribuir em grau substancial para o desenvolvimento de comportamento anti-social. Em uma metanálise de estudos com gêmeos e crianças adotadas, Mason e Frick (1994) verificaram que 50% da variância encontrada nas medidas de comportamento anti-social poderiam ser atribuídas a fatores genéticos.

 
 Bases biológicas do transtorno de personalidade anti-social

 
 
Desde o famoso caso de Phineas Gage, lesões do lobo frontal têm sido associadas ao desenvolvimento de comportame nto anti-social impulsivo. Este caso é ilustrativo a ponto de justificar uma breve descrição da sua apresentação clínica: Phineas Gage trabalhava na construção de estradas de ferro nos Estados Unidos, em meados do século XIX. Era descrito como equilibrado, meticuloso e persistente quanto aos seus objetivos, além de profissional responsável e habilidoso. Em um acidente nas explosões de rotina para abertura de túneis nas rochas da região, Phineas Gage foi atingido por uma barra de ferro que transpassou seu cérebro, entrando pela face esquerda, abaixo da órbita, e saindo pelo topo da cabeça. Surpreendentemente, Phineas Gage permaneceu consciente após o acidente, sobreviveu às esperadas infecções no seu ferimento e dois meses após o acidente estava recuperado, sem déficits motores e com linguagem e memória preservadas. A sua personalidade, no entanto, havia se modificado completamente. Phineas Gage transformou-se em uma pessoa impaciente, com baixo limiar à frustração, desrespeitoso com as outras pessoas, incapaz de adequar-se às normais sociais e de planejar o futuro. Não conseguiu estabelecer vínculos afetivos e sociais duradouros novamente ou fixar-se em empregos (Damásio, 1994).

A partir do infortúnio de Phineas Gage, relatos de caso e estudos retrospectivos de veteranos de guerra vêm mostrando a associação entre lesões pré-frontais – mais especificamente lesões nas porções ventromediais do córtex frontal – e a observação clínica de comportamento impulsivo, agressividade, jocosidade e inadequação social (Brower e Price, 2001). “Sociopatia adquirida” é o termo que tem sido freqüentemente utilizado para descrever a mudança de personalidade observada em decorrência de danos cerebrais em regiões pré-frontais. Esses dados levaram à sugestão de que um comprometimento do funcionamento do lobo frontal ventromedial poderia contribuir para problemas relacionados ao controle de impulso e personalidade anti-social (Damásio, 2000). A variedade de déficits neuropsicológicos descritos em anti-sociais (Morgan e Lilienfeld, 2000) estaria em consonância com esta hipótese.


 Estudos de neuroimagem



Os estudos de neuroimagem estrutural com ressonância nuclear magnética apontam alterações volumétricas do lobo frontal no TPAS. Comparando pacientes com diagnóstico de TPAS com controles não clínicos, pacientes com dependência de substâncias psicoativas e pacientes com outros diagnósticos psiquiátricos, Raine et al. (2000) verificaram que os pacientes com TPAS apresentavam uma redução do volume da matéria cinzenta pré-frontal e que esta redução correlacionavase com uma diminuição da resposta autonômica a um evento estressor provocado experimentalmente – no caso, a realização de um discurso.

A amígdala é outra estrutura que estudos volumétricos tem implicado na fisiopatogenia do TPAS. Tiihonen et al. (2001) verificaram que o volume da amígdala correlacionou-se negativamente com os escores do PCL-R em criminosos violentos. Também foi descrita uma associação entre escores elevados no PCL-R e reduções bilaterais do volume de hipocampo posterior em criminosos violentos (Laasko et al., 2001). Esses últimos resultados devem ser tomados com cuidado, por se tratarem de amostra pequena, com comorbidade com dependência ao álcool e sem grupo-controle.

Há ainda indícios do envolvimento de outras estruturas cerebrais na ocorrência de TPAS. Em um estudo publicado mais recentemente, verificou-se que pacientes anti-sociais, comparados com controles saudáveis, apresentavam várias anormalidades no corpo caloso, o que poderia ser considerado como sugestivo de alterações no neurodesenvolvimento (Raine et al., 2003).

Os avanços em técnicas de neuroimagem funcional, como tomografia por emissão de pósitrons (PET), tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT) e ressonância magnética funcional (fMRI), permitiram que as relações entre região cerebral e diagnóstico específico e/ou processos mentais específicos fossem exploradas de maneira mais minuciosa.

Os estudos com PET (Goyer et al., 1994; Wong et al., 1997; Raine et al., 1994; 1998) e SPECT (Amen et al., 1996) também indicam o envolvimento de córtex préfrontal no comportamento anti-social, com vários estudos demonstrando redução do metabolismo em regiões frontais. Em artigo de revisão considerando os artigos publicados de 1966 a 2000, Bassarath (2001) concluiu que estudos funcionais realizados até aquele momento (PET e SPECT) permitiam classificar como “robusto” o envolvimento do córtex pré-frontal, especialmente regiões mediais e laterais, no comportamento anti-social. Além do lobo frontal, também têm sido descritas reduções do metabolismo em estruturas subcorticais do sistema límbico (Amen et al., 1996), amígdala (Raine et al., 1997), hipocampo e núcleo caudado (Soderstrom et al., 2002).

Estudos mais recentes, utilizando-se de técnicas de fMRI, também apontam na direção do envolvimento de regiões pré-frontais e do sistema límbico no TPAS. Kiehl et al. (2001) demonstraram que criminosos psicopatas, comparados com criminosos não-psicopatas e controles sãos, apresentavam uma atenuação da ativação do complexo amígdala-hipocampo, giro paraipocampal, estriado ventral e giro do cíngulo posterior e anterior durante o processamento de palavras de valência negativa.

O comprometimento dos mecanismos envolvidos na aquisição de medo condicionado também tem sido implicado na fisiopatogenia do TPAS. Utilizando-se de uma tarefa baseada em teorias do condicionamento clássico (faces neutras pareadas com odor aversivo), Schneider et al. (2000) verificaram que pacientes com TPAS não diferiam de controles saudáveis quanto à aquisição de condicionamento, inferido a partir da observação do comportamento e medidas subjetivas. No entanto, observou-se que os pacientes apresentavam um aumento da intensidade de sinal na amígdala e no córtex pré-frontal dorsolateral, indo em direção oposta aos controles. Os autores explicaram este resultado argumentando que os pacientes necessitariam de um esforço adicional para o processamento de emoções negativas.

A possível necessidade de esforço adicional também foi observada em pacientes com TPAS e TPB durante a realização de um paradigma de inibição de comportamento estabelecido, denominado Go/No-Go. Ativações de córtex dorsolateral e orbitofrontal, especialmente à direita, durante a inibição comportamental têm sido consistentemente replicadas em voluntários saudáveis com esse paradigma. Pacientes com TPAS não diferiram de controles quanto ao desempenho na tarefa, mas apresentaram ativações mais extensas, envolvendo inclusive hemisfério esquerdo de córtex frontal medial e inferior, cíngulo anterior e regiões temporais (Vollm et al., 2004). Estes resultados foram explicados como uma estratégia compensatória, ou seja, o sucesso no desempenho da tarefa dependeria do recrutamento de áreas cerebrais adicionais.

Alguns resultados, no entanto, não confirmam a hipótese da necessidade de esforços compensatórios. Veit et al. (2002), utilizando um paradigma de condicionamento aversivo bastante semelhante ao descrito anteriormente (faces pareadas com pressão dolorosa ao invés de odor aversivo), obtiveram resultados opostos ao previsto pela hipótese. Psicopatas apresentavam ativações menos pronunciadas e mais breves em córtex orbitofrontal, ínsula, cíngulo anterior e amígdala, em comparação com controles saudáveis durante a execução da tarefa.

Os dados de neuroimagem claramente apontam para o envolvimento de algumas estruturas cerebrais específicas no desenvolvimento de comportamento antisocial. No entanto, algumas limitações metodológicas devem ser levadas em consideração na comparação dos resultados obtidos até o momento, bem como na sua extrapolação e generalização. Diferenças conceituais e de nomenclatura podem interferir nos resultados, havendo a necessidade de estudos com grupos mais homogêneos, sem comorbidades e com foco claro em comportamentos mais específicos (Séguin 2004). Além disso, deve-se lembrar também que boa parte dos estudos foi realizada com criminosos violentos, e que as alterações até então descritas poderiam relacionarse de maneira mais específica com impulsividade, agressividade ou mesmo encarceramento, e não com a condição mais ampla de sociopatia. A aplicação de paradigmas específicos de ativação psicológica em voluntários saudáveis tem sido utilizada como um passo intermediário para a exploração de maneira sistemática dos diferentes componentes psíquicos possivelmente envolvidos no comportamento anti-social (exemplos em Moll et al., 2002; Anderson et al., 2002).


 Estudos dos sistemas de neurotransmissão



Pode-se dizer, de maneira bastante simplificada, que a investigação sobre o papel de um determinado neurotransmissor em funções fisiológicas e patológicas poderia ser feita por meio do uso de drogas que ativam ou bloqueiam receptores específicos, pré e/ou póssinápticos. Além disso, a averiguação de seus precursores e metabólitos também seria ferramenta útil para a exploração da função de determinado neurotransmissor. A figura 1 ilustra os diferentes processos envolvidos na sinapse serotonérgica.

O prejuízo da função serotonérgica (5-HT) tem sido implicado na etiologia de vários transtornos mentais, entre eles transtornos de ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao controle do impulso. Isso se deve a alguns achados comuns a todos, ou pelo menos a parte desses transtornos, como redução na concentração no líquido cefalorraquidiano (LCR) do produto final do metabolismo de 5-HT, o ácido 5-hidroxiindolacético (5-HIAA), respostas hormonais atenuadas a desafios farmacológicos com drogas que interferem na função serotonérgica e alterações nas concentrações de receptores serotonérgicos (Mann et al., 1989, 1995; O’Keane et al., 1992; Coccaro et al., 1995; Dolan et al., 2001; Drevets et al., 1999). Além disso, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina têm se mostrado efetivos no tratamento desses transtornos, o que se acredita ser devido ao aumento da neurotransmissão 5-HT (Bell e Nutt,1998; Mann et al., 2001; Jetty et al., 2001; Nemeroff, 2002).


Especificamente na TPAS, vários estudos também têm sugerido a ocorrência de anormalidades no funcionamento serotonérgico, especialmente no caso de criminosos violentos. A associação entre redução da função serotonérgica (5-HT) e comportamento agressivo e impulsivo tem sido demonstrada tanto em animais (Cherek e Lane, 1999) como em populações com diagnóstico de personalidade anti-social (Fairbanks et al., 2001; Dolan et al., 2001).

Em voluntários saudáveis, a depleção aguda de triptofano, um aminoácido proveniente da dieta e precursor de 5-HT, induziu aumento da velocidade de processos psicomotores, mas tornou a escolha do comportamento mais lenta (Rogers et al., 1999a). Os autores concluíram que a serotonina normalmente reduz a velocidade de processos psicomotores nos circuitos dorso-fronto/estriatal e que o prejuízo da função serotonérgica seria um dos mecanismos de resposta impulsiva.

Criminosos anti-sociais e violentos apresentaram níveis plasmáticos significativamente mais elevados de triptofano livre que controles saudáveis, sugerindo um distúrbio do metabolismo de triptofano na fisiopatogenia da sociopatia (Tiihonen et al., 2001). Este mesmo grupo de pesquisadores sugeriu, a partir do estudo do caso de um jovem de 15 anos com diagnóstico de transtorno de conduta, que os níveis elevados de triptofano poderiam ser um indicador precoce de comportamento criminoso no futuro (Virkkunen et al., 2003).

Outra medida da associação entre prejuízo do funcionamento das vias serotonérgicas e comportamento anti-social é a diminuição das concentrações do 5-HIAA no LCR de criminosos impulsivos, demonstrada em diferentes estudos (Brown et al., 1982, Soderstrom et al., 2003; Constantino et al., 1997; Coccaro et al., 1990). Os baixos níveis de 5-HIAA no LCR sugeririam que o déficit estaria na liberação de serotonina, mas, por outro lado, a estimulação direta de receptores pós-sinápticos do tipo 5-HT2, por meio de desafios farmacológicos, também mostraram respostas alteradas.

Os desafios farmacológicos se caracterizam pela administração aguda de drogas provocadoras de aumento da função serotonérgica cerebral, que, por sua vez, pode levar a um aumento na secreção de alguns hormônios pituitários, como prolactina e corticotrofina (ACTH). As mudanças observadas nos níveis hormonais plasmáticos em decorrência da administração aguda de drogas têm sido freqüentemente usadas, tanto em voluntários saudáveis quanto em pacientes psiquiátricos, como uma medida indireta da função serotonérgica no sistema nervoso central (Cowen, 1998).

A administração aguda do agonista serotonérgico m-cloro-fenilpiperazina (mCPP) em indivíduos com diagnóstico de TPAS resultou em respostas hormonais alteradas, quando comparados com voluntários saudáveis (Moss et al., 1990). O aumento dos níveis de cortisol foi significativamente mais pronunciado nos pacientes que nos controles, enquanto os níveis de prolactina apresentaram resposta em direção oposta, sendo mais atenuados nos pacientes. A administração aguda de d-fenfluramina, um inibidor da recaptação e potente liberador de 5-HT, levou a aumentos menos pronunciados dos níveis plasmáticos de prolactina em criminosos com diagnóstico de TPAS, comparado com a resposta de controles sãos (O´Keane et al., 1992).

Recentemente, aplicando o conceito mais amplo de psicopatia e seus diferentes componentes combinados com um desafio farmacológico com d-fenfluramina em criminosos violentos, Dolan e Anderson (2003) verificaram que traços impulsivos de personalidade correlacionavam-se negativamente com a função serotonérgica, enquanto traços de arrogância correlacionavam-se positivamente, sendo este último dado interpretado como um possível componente adaptativo da psicopatia.

Embora os resultados de estudos com avaliação de respostas neuroendócrinas a testes provocativos farmacológicos sejam consistentes, eles não permitem que sejam localizadas as regiões do cérebro onde se encontrariam as deficiências neuroquímicas. O uso de neuroimagem para monitorar as respostas metabólicas ou fluxo sangüíneo para testes provocativos farmacológicos poderia ser um meio mais adequado para avaliar a responsividade farmacológica por regiões cerebrais específicas. Estudos com PET e d-fenfluramina mostraram aumento da atividade metabólica no córtex frontal ventromedial em voluntários normais e uma falta de resposta em pacientes agressivos e impulsivos com TBP (Siever et al., 1999; Soloff et al., 2000). A administração endovenosa de mCPP em voluntários normais e em pacientes com dependência ao álcool causou ativação em várias áreas do córtex pré-frontal (Hommer et al., 1997). Em voluntários saudáveis, o mCPP acentuou a resposta neuronal, detectada por fMRI, de regiões laterais do córtex orbitofrontal durante a execução de tarefa de inibição de comportamento (Go/No-Go) (Anderson et al., 2002). Efeitos semelhantes foram obtidos com a administração endovenosa de citalopram, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina (Del-Ben et al., 2003). Os efeitos do citalopram nesta tarefa estão ilustrados na figura 2. Esses resultados sugerem um papel da serotonina na inibição de comportamentos, por meio da facilitação de mecanismos frontais.

Outros sistemas de neurotransmissão também têm sido associados a comportamento anti-social. Uma hipótese intrigante implica os mecanismos envolvidos no processamento de recompensa, e conseqüentemente o sistema dopaminérgico, na fisiopatogenia do TPAS (Blum et al., 2000). A hipótese se aplicaria também a outros transtornos mentais, como dependência química e transtornos do controle do impulso, relacionandoos a uma ruptura na cascata de respostas a estímulos de recompensa. O funcionamento do sistema dopaminérgico estaria diminuído devido a um comprometimento de receptores pós-sinápticos do tipo D2.



 Hipóteses a respeito da fisiopatogenia do transtorno de personalidade anti-social



Resumidamente, os dados clínicos obtidos até o momento sugerem que, do ponto de vista anatômico, porções ventromediais do lobo frontal, particularmente o córtex orbitofrontal (COF), e outras estruturas do sistema límbico, especialmente a amígdala, estariam envolvidas na patogênese do TPAS. Além disso, redução da função serotonérgica também estaria relacionada com TPAS, se não com todos os seus aspectos, pelo menos com o seu componente impulsivo/agressivo.

Estudos experimentais indicam que o processamento de estímulos de recompensa e punição, bem como a escolha entre as opções de comportamento possíveis frente às características do reforço apresentado (magnitude, probabilidade de ocorrência, tempo de latência), são essencialmente mediados por circuitaria neural que inclui as estruturas anatômicas supostamente implicadas na patogenia do TPAS, como o COF e a amígdala (Rolls 1999; Tremblay e Schultz 1999; Schoenbaum et al., 1998). Pode-se supor que, no TPAS, as representações de respostas não evocariam as representações de reforço normalmente esperadas; o comportamento passaria, então, a ser governado por mecanismos mais primitivos e menos precisos.

A inibição de comportamentos punidos também seria mediada pelo COF. Regiões laterais deste parecem estar particularmente envolvidas em tarefas que requerem inibição de respostas motoras preponderantes (Elliott et al., 2000). Do ponto de vista adaptativo, mecanismos inibitórios podem ser cruciais para o funcionando social normal. Blair et al. (1999) demonstraram ativação de COF lateral para expressões faciais de raiva, que representariam um sinal social para inibir comportamento inapropriado. Assim, a deterioração em funções do COF lateral poderia contribuir para comportamentos impulsivos ou desinibidos, freqüentemente observados em pacientes com TPAS.

Por outro lado, as regiões mediais do COF mediariam a escolha do comportamento por meio da representação das conseqüências motivacionais das escolhas. De acordo com Damasio et al. (1990), as porções mediais do COF processariam a escolha da resposta comportamental frente a estímulos arriscados, especialmente em situações sociais, desencadeando como sinal de alerta sensações
somáticas ou viscerais (gut feeling). Essa região seria essencial para o planejamento do futuro e tomada de decisões. Pacientes com lesões em regiões ventromediais do COF apresentam respostas autonômicas atenuadas e fazem escolhas arriscadas em um paradigma experimental que simula um jogo de azar (gambling) (Bechara et al., 1996). Reciprocamente, sujeitos saudáveis mostram ativação dessa mesma região do COF por um paradigma semelhante (Rogers et al., 1999b).

Os estudos animais sugerem que a inervação serotonérgica do COF, da amígdala e do estriado ventral seria ativada por meio de ameaças externas ou mecanismos de ansiedade antecipatória. A via serotonérgica ascendente proveniente do núcleo dorsal da rafe mediaria respostas adaptativas a situações adversas atuais ou futuras por meio de receptores pós-sinápticos do tipo 5-HT2, a serotonina inibiria comportamentos de aproximação, mediados por dopamina, e facilitaria a evitação (Deakin e Graeff, 1991; Deakin, 2003). O COF tem projeções extensas para os centros de controle autonômico no hipotálamo medial e na matéria cinzenta periaquedutal, que parece mediar respostas do tipo lutafuga (Graeff et al., 1997). A ansiedade induzida por esta resposta pode ser um caso especial de ansiedade antecipatória facilitada por 5-HT (Deakin e Graeff 1991; Deakin 1999). Assim, defeitos na função 5-HT e danos do COF podem resultar em falta de inibição, tanto de comportamento socialmente arriscado como punido.


 Considerações finais



O interesse crescente no estabelecimento das bases neurais do comportamento anti-social que se observa atualmente provavelmente se deve, pelo menos em parte, ao aumento significativo da criminalidade e violência urbana em diferentes partes do mundo. Os avanços metodológicos obtidos nas últimas décadas, como, por exemplo, as técnicas de investigação em neuroimagem, têm permitido que diferentes hipóteses sobre as bases neurobiológicas de diferentes transtornos mentais sejam sucessivamente testadas. A identificação de fatores de risco, tanto psicossociais como biológicos, para a ocorrência de comportamento anti-social seria de extrema utilidade para o desenvolvimento de abordagens efetivas de prevenção e intervenção. No entanto, apesar de muitos avanços terem sido alcançados nessa área, deve-se ter cautela na interpretação dos resultados obtidos até o momento, particularmente na sua extrapolação para outras esferas não médicas, como moral, ética ou jurídica. Uma eventual aplicação das informações a respeito das bases biológicas do transtorno de personalidade anti-social em outros campos do conhecimento exigiria, antes de qualquer coisa, uma reflexão ampla e profunda de diferentes áreas da sociedade.


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Órgão Oficial do Departamento e Instituto de Psiquiatria
Faculdade de Medicina  - Universidade de São Paulo